quarta-feira , 21 Fevereiro 2018
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Brigas, morte e troca de acusações marcam o Atletiba que não aconteceu

O clássico Atletiba deste domingo começou com a promessa de festa e rivalidade sadia, mas terminou de forma triste e melancólica. Das brincadeiras e provocações previstas com máscaras de Ronaldinho Gáucho para a violência nas ruas das brigas de torcida, a morte de um torcedor e o cancelamento do clássico em meio à troca de acusações, o futebol paranaense viveu uma página triste de sua história.

No início a brincadeira sadia com a contratação frustrada de R10 (Foto: Monique Silva)

A partida prevista para a Arena da Baixada pela quinta rodada do campeonato paranaense tinha como combustível a eterna rivalidade entre Atlético-PR e Coritiba e alimentada pela gozação da tentativa frustrada da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Coritiba. Máscaras de R10 surgiram em volta da Arena da Baixada para brincar com a situação.

Mas antes disso, o Atletiba mostrava sua face mais trágica com a violência de torcedores espalhados pelas cidades em brigas nos bairros. A PM registrou casos de lutas e quebra-quebra nos bairros Santa Cândida, Fazendinha, Portão e Cajuru, além dos municípios de Pinhais e Piraquara, na região metropolitana. Estações tubo e terminais de ônibus também foram vandalizados e torcedores se enfrentaram no terminal do Portão. Antes disso, um grupo de fãs do Coritiba invadiu o terminal do Santa Cândida para surpreender outro grupo de atleticanos.

O rastro de violência se estendeu até o estádio Couto Pereira onde um torcedor do Coritiba foi morto por um policial militar em meio à confusão. De acordo com a corporação, a PM fazia escolta dos torcedores para levá-los à Arena da Baixada, quando houve tumulto entre torcida e policiais. Em meio à confusão, o torcedor foi atingido por um tiro no peito disparado por um sargento. A PM afirma que o disparo foi acidental. O jovem não teve a identidade revelada e uma coletiva para tratar do assunto será realizada na manhã desta segunda-feira.

Dirigentes tentam a manutenção dos profissionais sem credenciamento para o jogo (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

Dentro da Arena da Baixada, a promessa de bola rolando não aconteceu depois que os clubes se negaram a dar continuidade na partida após a Federação Paranaense de Futebol (FPF) justificar que os profissionais contratados pelos clubes a fazer a transmissão do jogo via internet não estavam credenciados e não poderiam estar no campo. 

O impasse durou cerca de 40 minutos até que a direção dos dois clubes decidiu que os times não jogariam sem que fosse viabilizada a permanência dos profissionais dentro de campo. A alegação era de que sem os profissionais, a transmissão pela internet não poderia ser realizada. A FPF argumentou que o credenciamento deveria ter sido feito com 48 horas de antecedência. A Arena da Baixada recebia um público de aproximadamente 20 mil pessoas. 

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– O árbitro avisou: “olha, tá cheio de gente sem credenciamento, eu não posso começar o jogo assim. Se não tirar essas pessoas, não posso começar o jogo”. Chamaram o policiamento. As pessoas se recusaram a sair. Não havia como fazer jogo com tanta gente em volta do gramado sem estar credenciada para tal – disse o presidente da FPF, Hélio Cury.

Jogadores se reuniram no meio do gramado e agradeceram os torcedores antes do jogo ser cancelado na Arena da Baixada(Foto: Reprodução)

Em seguida, os dirigentes dos clubes atacaram a FPF e consideraram intransigente a determinação de impedir os profissionais de trabalharem dentro do campo sem o credenciamento.

– O juiz me explicou que ele obedeceu uma ordem superior. Algumas vezes algumas leis não são éticas. Como vamos lidar com a frustração desse público inteiro? Então… 99%… chego à conclusão que não vai ter jogo por uma medida intransigente e estreita – criticou o presidente do Atlético-PR, Luis Salim Emed.

Torcedor retira faixa da Arena da Baixada depois que cancelamento foi anunciado (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

– Isso foi uma vergonha. Foi arbitrariedade por parte da federação, em virtude de não termos assinado um contrato de transmissão de televisão. A federação tinha que ter mais espírito esportivo. Não concordamos – completou o presidente Rogério Bacellar, do Coritiba.

Os clubes divulgaram uma nota de repúdio em conjunto, enquanto a FPF também se posicionou com uma nota.

Leia a nota oficial divulgada pelos clubes:

O Coritiba Foot Ball Club e o Clube Atlético Paranaense informam que o clássico deste domingo (19), no Estádio Atlético Paranaense, não foi realizado devido à decisão da Federação Paranaense de Futebol de não autorizar o início da partida com a transmissão dos clubes em seus canais oficiais, no Facebook e YouTube, contrariando os interesses de seus afiliados CAP e CFC.

Os clubes lembram que a ação pioneira foi realizada, pois as duas equipes não venderam os direitos de transmissão de seus jogos no Campeonato Paranaense, por não concordarem com os valores oferecidos.

Diante da posição arbitrária e sem qualquer razoabilidade da Federação Paranaense de Futebol, os clubes lamentam o prejuízo causado ao futebol paranaense, em especial aos seus torcedores

Leia a nota da FPF

A Federação Paranaense de Futebol, em vista dos fatos ocorridos na partida entre Clube Atlético Paranaense e Coritiba Football Club no dia 19/02/2017, válido pela 5ª Rodada do Campeonato Paranaense de 2017, esclarece o seguinte:
 
A Federação Paranaense de Futebol não possui nenhuma responsabilidade pelo cancelamento da partida.
 
A não realização do jogo ocorreu por culpa exclusiva dos Clubes, que desobedeceram a ordem do árbitro de retirar profissionais não-credenciados do gramado onde se realizaria a partida.
 
Diante disso, uma vez que em nenhuma partida é permitido o acesso e permanência de pessoas estranhas no entorno do gramado, o árbitro agindo de acordo com o Regulamento da Competição (art. 35, §2º e 3º, art. 36, e art. 64, §2º, inciso I do Regulamento Geral), não autorizou o início da partida, até que essas pessoas estranhas ao recinto se retirassem.
 
O Clube Atlético Paranaense e o Coritiba Football Club, em total desobediência à determinação, recusaram-se a retirar as pessoas não-credenciadas de campo dentro do prazo regulamentar, o que levou ao cancelamento da partida, prejudicando milhares de torcedores que compraram o ingresso e se deslocaram para assistir ao jogo do Campeonato Paranaense de 2017.
 
Esclarece ainda, diante das inúmeras inverdades veiculadas pelos dirigentes dos dois Clubes, que a Federação em momento algum questionou a transmissão via WEB, entendendo que não havia qualquer tipo de impedimento para sua realização, inclusive acompanhou atentamente a iniciativa dos Clubes nesse novo meio de transmissão.
 
A Federação Paranaense de Futebol lamenta profundamente o cancelamento da partida, esclarecendo que a responsabilidade pelos prejuízos causados é exclusiva dos Clubes, e que acionará os órgãos competentes para punição dos responsáveis.

Situação do clássico segue indefinida

A realização de outra partida ou qualquer outra situação sobre o clássico Atletiba segue indefinida Ainda no domingo, o advogado da FPF Emerson Fukushima disse que vai aguardar a súmula do árbitro para começar a estudar qual será o futuro do jogo. Ele evitou dizer se existe a possibilidade da partida ser remarcada, cancelada e como fica a situação da campeonato. O procurador do TJD, Gilson Goulart Júnior, manteve o mesmo discurso.

– É muito difícil prever o que pode ser feito. O mais importante é aguardar o relato da súmula. De acordo com o que ele colocar na súmula a gente vai avaliar e se tiver que denunciar, a Procuradoria vai tomar as providências. Até terça acredito que vamos ter essa súmula e aí vamos avaliar em conjunto o contexto e tomar a decisão do que fazer. Há muitas informações de todos os lados, mas a gente precisa saber qual a informação que ele vai relatar para fazer uma avaliação. Isso será essencial.

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