quarta-feira , 21 Fevereiro 2018
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Flamengo pode abrir mão do Estadual

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A tática utilizada pelos clubes e pela Federação de Futebol do Rio, de aparentarem união em apelo dramático para manter viva a chance de a semifinal entre Flamengo e Vasco acontecer no Engenhão, no sábado, com torcida dividida, foi apenas uma cena que, por trás, tinha um movimento jurídico que deu resultado. O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, convocou, ontem à noite, após coletiva dos presidentes na Federação de Futebol do Estado do Rio, uma audiência especial que pode ser o caminho para a solução do impasse.

Até o momento, porém, a partida pelo Estadual não tem local definido, uma vez que a prefeitura de Juiz de Fora, praça escolhida pela Ferj sem concordância do Flamengo, vetou o evento por questões de segurança durante o carnaval. Caso a partida não seja confirmada no Rio até hoje, quando deve ter início a venda de ingressos, ela precisará ser adiada. O problema é que não há data disponível. O Flamengo, com foco na Libertadores, já sinaliza abandonar o Estadual.

Desde a impossibilidade de mandar jogos fora do Rio — Manaus, Brasília e Juiz de Fora foram cogitados —, os clubes buscam alternativas. A mais efetiva foi entrar com uma petição pedindo para que o juiz Guilherme Schilling reconsidere a sua liminar a partir de um documento, entregue em mãos, ontem, com o argumento de que não foi encontrado um estádio para jogar fora do Rio. Na petição, consta ainda uma declaração da Policia Militar do Rio dizendo apenas que estará presente na partida — porém, sem juízo de valor sobre garantia de segurança em caso de torcida dupla.

Para verificar se acatará o pedido dos clubes, o juiz convocou representantes de Ministério Público, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Ferj, Confederação Brasileira de Futebol, além do Chefe Estado Maior Geral da Polícia Militar e do Comandante do GEPE. Em juízo, a polícia responderá se pode garantir a segurança.

Por parte dos clubes, houve ainda um pedido de voto de confiança das autoridades. Apenas hoje o Flamengo vai entrar com recurso contra a liminar. O clube já contratou escritório especializado e estuda a forma de reverter o quadro para clássicos no futuro. Na reunião na Ferj, que contou ainda com dois representantes da TV Globo e dois representantes de torcidas organizadas, chegou a ser ventilada a possibilidade de jogar no Rio com os portões fechados para atender a liminar.

Sem definição, os presidentes fizeram apelo público, se eximindo da responsabilidade pela violência nos jogos. A conta caiu no colo da Polícia Militar. Caso as partes não cheguem a um acordo, o juiz decidirá se mantêm a decisão. A Procuradoria Geral do Estado deve entrar ainda hoje com pedido para ser aceita como parte do processo. Réu, o Flamengo explicou que é contra a torcida única e vai recorrer mesmo que a manutenção da liminar o favoreça na semifinal, que teria o mando de campo e a sua torcida.

—Agora que o Flamengo foi formalmente citado, estamos avaliando qual o melhor recurso cabível. Temos especialistas estudando isso para tentarmos caçar essa liminar. Independentemente do que a Procuradoria vá fazer. Pode haver simultaneamente três ou quatro recursos — disse o advogado Bernardo Accioly.

O presidente Eduardo Bandeira de Mello, que já se declarou contrário à torcida única, endereçou uma carta à Ferj ontem e cobrou que o jogo contra o Vasco fosse no Engenhão com torcida dividida. Mais tarde, ratificou sua filosofia:

— Não somos inimigos, mas adversários. Temos a noção e a certeza de que um precisa do outro. E nossas torcidas podem viver em paz. Os torcedores da mesma família, porém que torcem por clubes diferentes, tem de ter o direito de irem ao estádio juntos — ponderou.

Eurico Miranda, do Vasco, que descartou jogar com a torcida única, nesse caso do Flamengo, também fez um discurso romântico, diferente do que de costume.

— Sou do tempo em que a o jogo estava rolando e todos ficavam observando a festa das torcidas nas arquibancadas. Que volte essa época de convivência. Eu sempre estimulo a rivalidade, mas nunca a violência — salientou Eurico.

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